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Analise atentamente os dois textos, a seguir:
Texto 1
No mundo moderno, precisamos de energia para grande parte das nossas atividades corriqueiras, como, por exemplo, nos deslocarmos de um lugar para o outro (meios de transporte), acender a luz dos nossos aposentos, preparar as nossas refeições, carregar nossos smartphones, entre tantas outras coisas. Toda essa energia vem de um conjunto de fontes que formam o que podemos denominar de matriz energética. Ou seja, ela representa o conjunto de fontes disponíveis em um país, estado, ou no mundo, para suprir a necessidade (demanda) de energia.
Segundo dados da International Energy Agency (IEA, 2023), o mundo possui uma matriz energética composta, principalmente, por fontes não renováveis, como o carvão (27,2%), petróleo e derivados (29,5%) e gás natural (23,6%). Todas as outras fontes de energia, tais como: Biomassa, hidráulica, nuclear, entre outras, representam apenas 20%. Fontes renováveis como solar, eólica e geotérmica, por exemplo, juntas correspondem a apenas 2,7% da matriz energética mundial.
Uma questão curiosa é que a matriz energética do Brasil é muito diferente da mundial, pois utiliza uma maior quantidade de fontes renováveis em relação ao restante do mundo. Somando lenha e carvão vegetal, hidráulica, derivados de cana, eólica, solar, entre outras renováveis, totalizam 47,4%, ou seja, quase metade da nossa matriz energética, conforme ilustra o gráfico abaixo:
Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica
Entretanto, muitas pessoas confundem a matriz energética com a matriz elétrica, mas elas são diferentes. Enquanto a matriz energética representa o conjunto de fontes de energia utilizadas para movimentar os carros, preparar a comida no fogão e gerar eletricidade, a matriz elétrica é formada pelo conjunto de fontes utilizadas apenas para a geração de energia elétrica. Dessa forma, podemos concluir que a matriz elétrica é parte da matriz energética.
A geração de energia elétrica no mundo é baseada, principalmente, em combustíveis fósseis como carvão e gás natural, em termelétricas, representando as duas juntas um total de quase 60% da produção desse tipo de energia.
Conforme apontado no gráfico abaixo, a matriz elétrica brasileira é ainda mais renovável do que a energética, isso porque grande parte da energia elétrica gerada no Brasil vem de usinas hidrelétricas. A energia eólica e solar também vêm crescendo consideravelmente, nos últimos anos, contribuindo para que a nossa matriz elétrica continue sendo, em sua maior parte, renovável.
Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica
Texto 2
Enquanto os países mais desenvolvidos têm diminuído, nas últimas décadas, a construção de grandes hidrelétricas, nações em desenvolvimento, como o Brasil, por exemplo, começaram a construir no mesmo período barragens ainda maiores.
Impactos ambientais, como o desmatamento e a perda da biodiversidade, e sociais, tais como o deslocamento de milhares de pessoas e os prejuízos econômicos causados a elas, não têm sido levados em conta e incluídos no custo total desses projetos. Além disso, esses empreendimentos têm ignorado os cenários de mudanças climáticas, que preveem a diminuição da oferta de água e, consequentemente, da geração de energia hidroelétrica.
“Quando uma grande barragem é construída, o rio a jusante (direção em que correm as águas de uma corrente fluvial) perde grande parte de espécies de peixes que são importantes para a população ribeirinha. Aquelas comunidades terão que conviver com a diminuição de sua atividade de pesca ao longo de 15 ou 20 anos, por exemplo, e esses prejuízos econômicos e sociais não têm sido incorporados no custo desses projetos”, disse (professor Emilio Moran, da Unicamp).
Segundo Moran, as primeiras barragens construídas na América do Norte e na Europa tinham o objetivo de prover energia para áreas rurais e possibilitar o funcionamento de sistemas de irrigação. “Esses projetos tinham um objetivo social”, disse. Já as usinas que estão sendo construídas ao longo dos rios da bacia Amazônica, na América do Sul, do Congo, na África, e Mekong, no Sudeste Asiático, são voltadas, em grande parte, para fornecer energia para empresas siderúrgicas, por exemplo, sem beneficiar as comunidades locais.
“As pessoas afetadas por esses projetos acabam não se beneficiando do acesso ou da diminuição do custo da energia, por exemplo. No caso da usina de Belo Monte, o linhão de transmissão de energia passa por cima das pessoas afetadas e aquela energia vai para as regiões Sul e Sudeste”, disse Moran.
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